Segunda, 16 de Maio de 2022
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Saúde Ceará

Peixe-leão: “não existe, até o momento, riscos de acidentes com turistas e banhistas”, afirma especialista

O Observatório Costeiro e Marinho do Ceará (OCMCeará), no âmbito do programa Cientista Chefe Meio Ambiente (Funcap/Sema/Semace) promoveu, na tarde ...

09/05/2022 17h00
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Por: Redação Fonte: Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

O Observatório Costeiro e Marinho do Ceará (OCMCeará), no âmbito do programa Cientista Chefe Meio Ambiente (Funcap/Sema/Semace) promoveu, na tarde de sexta-feira, dia 6 de maio, a 2ª reunião extraordinária do OCMCeará. O encontro virtual contou com a presença de mais de 60 participantes, teve como finalidade discutir a presença do peixe-leão em águas cearenses e repassar cuidados e medidas preventivas a serem tomadas a fim de evitar acidentes, além de esclarecer outras dúvidas possíveis. “Também foi discutida a importância de repassar informações  às secretarias municipais de Saúde, Meio Ambiente, Turismo e Pesca, sobre os impactos e ameaças que a espécie representa para o litoral cearense”, disse o titular da Secretaria do Meio Ambiente, Artur Bruno.

A reunião foi conduzida pelo Prof. Fábio de Oliveira Matos, coordenador do Observatório Costeiro e Marinho do Ceará. O expressivo número de registros de peixe leão em menos de 60 dias, em um trecho do litoral cearense de mais de 160 km, preocupa a comunidade científica. O pesquisador Tommaso Giarrizzo iniciou as discussões explicando sobre o primeiro registo do peixe no litoral cearense, em 12 de março de 2022. Ele disse que já foram registrados mais de 40 animais entre Bitupitá e Itarema. Esses animais, com tamanho corporal entre 14 e 15 cm, são todos juvenis e têm sido encontrados em locais rasos, em currais de pesca, marambaias, e recifes naturais. “Nenhuma ocorrência desta espécie invasora foi, até então, comprovada nas praias turísticas do litoral do Estado”, esclareceu.

Em seguida, foi passada a palavra para o Prof. Vidal Haddad Jr., da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista e Consultor do Ministério da Saúde para o Programa de Animais Peçonhentos (aquáticos). Ele, que estuda o assunto há 30 anos, parabenizou o Governo do Ceará, pela rápida mobilização em tratar do assunto por meio do OCMCeará.  Relatou a invasão do peixe-leão nos EUA e Caribe e explicou que o veneno do peixe não é letal e, tampouco, pode causar paradas cardíacas. “O veneno é cardiotóxico e citotóxico além de conter acetilcolina e neurotoxinas que afetam a transmissão neuromuscular. O contato com o veneno do peixe causa dor intensa, o que leva a náuseas, cefaleia, além de causar eritema e inchaço no local”, explicou.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

A recomendação, em caso de acidente, é mergulhar a área afetada em água quente e procurar atendimento médico. Ele também destacou que o peixe-leão não representa perigo para banhistas, uma vez que se trata de um peixe que vive em ambientes recifais/rochosos e que acidentes com banhistas nunca foram relatados. Cerca de 70% dos acidentes registrados no Caribe estão relacionados à manipulação do peixe em capturas, segundo estudo citado por Giarrizzo. Ademais, não há ainda registros de peixe leão em locais com mergulho para fins turísticos ou recreativos no litoral do Ceará. “Portanto não existe, até o momento, riscos de acidentes com turistas e banhistas”, disse.

Além de professores e pesquisadores da equipe do Programa Cientista Chefe e representantes das secretarias estaduais de Saúde, Turismo e Meio Ambiente, também participaram do encontro, representantes de diversos órgãos dos 20 municípios da costa cearense. Os participantes concluíram que “através do fortalecimento de um monitoramento participativo e expedições científicas acompanhadas por pescadores treinados será possível elucidar a real magnitude do problema, entender melhor a distribuição destas espécies e propor um efetivo plano de ação para o controle deste invasor”.

Após a fala de alguns secretários municipais, foi identificada a necessidade de um plano de ação, organizando oficinas nas comunidades costeiras com o “objetivo de esclarecer sobre os perigos que o peixe-leão representa e treinar pessoas para que possam manipular o peixe com segurança em caso de capturas e repassar estas valiosas informações para os órgãos competentes”. Representantes da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) e da Secretaria de Meio Ambiente  (SEMA) irão se reunir na próxima semana, entre os dias 9 e 13 de maio, para estabelecer diretrizes no sentido de operacionalizar a realização das oficinas nos municípios, bem como a viabilidade da distribuição de EPIs para os pescadores que realizam trabalhos em currais de pesca.

Sobre o peixe-leão

Vale salientar que o peixe-leão não apresenta valor comercial e que os exemplares, porventura capturados, devem ser encaminhados para o LABOMAR/UFC ou para o IFCE de Acaraú para que possam ser estudados. O peixe-leão é uma grande ameaça por ser predador de outros peixes e invertebrados marinhos, sendo uma espécie exótica, invasora e extremamente voraz, originária dos oceanos Índico e Pacífico. É também um animal peçonhento, que possui 18 espinhos venenosos, capazes de provocar acidentes.

Como o peixe-leão não tem predadores naturais, reproduz-se rapidamente, compete com peixes nativos carnívoros (pargo, garoupas), e se adapta facilmente em diferentes ambientes marinhos, é considerado uma das espécies invasoras de maior risco global, sendo capaz de causar elevados prejuízos ambientais e socioeconômicos. Por tudo isso, o governo do Estado está atento à problemática e vem atuando para minimizar os problemas causados por essa espécie no nosso litoral.

A Secretaria de Vigilância e Regulação em Saúde (SEVIR) por meio da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica e Prevenção em Saúde (COVEP), Coordenadoria de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (COVAT) e da Célula de Informação e Resposta às Emergências em Saúde Pública (CEREM) / Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) alerta sobre acidentes por peixe-leão.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

Saiba mais

O Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com o Programa Cientista Chefe Meio Ambiente, está realizando um monitoramento participativo do peixe-leão. Para mais informações consulte o  link: https://labomar.ufc.br/pt/monitoramento-do-peixe-leao/.

Durante a reunião, foi disponibilizado mais uma vez o e-mail do programa Cientista-chefe (cientistachefesema@gmail.com) bem como o WhatsApp do Observatório Costeiro e Marinho do Ceará, o qual pode ser acionado em horário comercial (de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17h) no telefone: (55) (85) 3366.7059 (somente para mensagens).

Visando compartilhar o máximo possível de informações que possam ser utilizadas como ferramentas educativas, oPrograma Cientista Chefe Meio Ambientee a Secretaria do Meio Ambiente (Sema)vem disponibilizando materiais informativos sobre o peixe-leão.

Acesse o relatório da 2ª reunião extraordinária do OCMCeará.

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